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08/06/2007
CULTOS FÁLICOS

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GUEIXAS: CULTURA JAPONESA
Imagens: Muzeum Erotica - Copenhague

 

O bodhisattva Kisitigarbha, entidade budista venerada cuja representação contém uma sutil referência ao falo, na mão direita da figura  que têm suas "partes intimas dentro de uma vagem"...


O falo somente se venera em estado de ereção [claro!...]. Nesta forma, como frutificador e doador da vida, se transforma em emblema da divindade. O falo ereto era um elemento recorrente na arte paleolítica e aparece, com freqüência, justaposto a figuras de animais. O que é seguro é que no antigo Egito, nos tempos de Sesostris I (à 1900 a.c), aos dias das colheitas, Min, se representava como uma figura em permanente ereção e se comparava com um touro montando na vaca ou um marido fecundando sua esposa.

Com seu enorme e nada ambíguo falo empinado, Min era também deus dos caminhos, guia e protetor dos viajantes, uma função que compartilha com outros deuses fálicos. As primeiras "imagens" do deus grego Hermes consistiam em montões de pedras, chamados herms, completados por uma pedra maior, que serviam como montes. Mais adiante, o herm foi se transformando em um bloco quadrado, com um falo e dois testículos talhados frontalmente. Hermes não somente guiava os vivos; também era o guia das almas.

 

Devido, possivelmente por que os mastros e montes se encontrassem nas margens das fronteiras, muitos deuses fálicos se transformaram em espíritos guardiões, como se sucedeu com os Dosojin [fig. esq.] japoneses. Todavia existem milhares destas figuras talhadas nas pedras, geralmente colocadas nos campos de trigo, onde asseguram a fertilidade da colheita e atuam como divindades guardiãs que protegem os campos dos intrusos e dos maus espíritos.
 

Todas as religiões têm conservado ao menos alguma reminiscência dos cultos fálicos. Os conquistadores e missionários, nas Américas, Ásia e Oceania, substituíram os antigos deuses locais por figuras equivalentes de seus panteões, porém muitos deuses originais sobreviveram a essa usurpação.

O budismo ascético pretendeu assimilar os Dosojin para a imagem do bodhisattva Kisitigarbha, que têm suas "partes intimas dentro de uma vagem"; porém no templo budista de Nagoya - Japão, atrás da estátua de Kisitigarbha há uma cortina que oculta falos talhados, descritos como os Dosojin.

Quando os arianos invadiram a Índia, criticaram o povo conquistado por "terem como deus o "falo" entretanto poucos séculos depois os mesmos arianos estavam adorando a linga [lingam] (falo) de Shiva. Há elementos fálicos nas tradições populares referentes a árvores sagradas, sobretudo na Irlanda, Europa Mediterrânea e Japão.

 


30 de Dezembro de 1781: Carta de Sir William Hamilton, K.B., ministro de sua majestade na Corte de Nápoles a Sir Joseph Banks, Bart., presidente da Royal Society, falando sobre similitudes entre o "Papismo" (Cristianismo católico) e as religiões Pagãs:

A carta fala da devoção popular a Priapus, "divindade obscena" dos antigos. As provas seriam evidentes e disponíveis a qualquer um que visitasse o British Museum. Segundo Sir Hamilton: "Mulheres e crianças da classe baixa, em Nápoles e vizinhanças, freqüentemente usam [nas roupas] um tipo de amuleto, que elas imaginam ser protetor contra o mau olhado, os evil eyes, os encantamentos [e propiciador de outros benefícios]...

[Esses amuletos que] têm evidente relação com o Culto de Príapus... são comumente feitos de prata, mas também de marfim, coral, âmbar, cristal e outras gemas... Na cidade de Isernia [uma das mais antigas do Reino de Nápoles, uma festa celebra, desde 1780] o moderno Príapus, São Cosmo (! - o Cosme de Damião)... [Sir William chama a atenção para a "indecência da cerimônia! - veja na ilustração abaixo, um "voto" de Isernia]

As relíquias dos santos são expostas e carregadas em procissão, da catedral até a igreja [dedicada aos santos]. No percurso da romaria, fac símiles de cera - os votos, representando as partes masculinas da geração, de vários tamanhos, são publicamente colocados à venda. Esses "devotos" distribuidores de tais votos [estatuetas de cera], com a cesta cheia do "produto", daquelas "lembrancinhas"... comercializam sua mercadoria aos gritos de "São Cosme e São Damião!"

In SAINT PRIAPUS: An Account of Phallic Survivals within the Christian Church and some of their Pagan Origins. IAN McNEIL COOKE - [trad. adap. Ligia Cabús | JAHMUSIC] acessado em 08/06/2007.


 




No cristianismo,o culto fálico sobreviveu como "o inimigo" na figura de um Satanás muito parecido com o Priapo ou o Pan (grego) e também nas figuras dos santos priápicos, quase sempre inventados. Por exemplo, São Guignole, primeiro abade de Landevenec (França), se converteu numa figura fálica por confusão de seu nome com o verbo gignere, gerar. Sua capela se manteve até 1740. As estátuas destes santos apresentavam membros exagerados, que as vezes se ungiam e veneravam separadamente e também eram utilizados para fecundar mulheres que desejavam engravidar.

Falos de cera de Isernia - Itália, de 1780, do acervo do Britsh Museum
 

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FONTE
EL CULTO AL FALO. Clifford Bishop.
Revista Libertália. Itália: 2002.

tradução: Carol Beck

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edição: Jahmusic ― 28/05/2007