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10/06/2007
LIVROS DE ALCOVA ORIENTAIS

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GUEIXAS: CULTURA JAPONESA
Imagens: Muzeum Erotica - Copenhague

IMAGEM: de Chang We-Che'ng, que viveu entre os séculos VIII e XIX.

 

Os antigos chineses foram os primeiros a fazer manuais detalhados de práticas e conselhos sexuais. A história oficial da dinastia Han (202 a.c -204 a.c) cita outros manuais de sexo em sua sessão bibliográfica, encabeçado por Fang-chung, a Arte da Alcova.

Estes livros já não existem, porém alguns fragmentos sobreviveram em forma de apontamentos retirados de um texto médico japonês, o I-shin-po, recolhido por Tamba Yasuyori, médico chinês que viveu no Japão no final do século X.

Muitos desses manuais adotam a forma de diálogos entre sábios de ambos os sexos e taoístas imortais (que, em geral, não eram deuses, mas pessoas divinizadas). Um dos principais personagens é Huang-tsi, o místico imperador Amarelo, que se crê que viveu uns 3.000 anos antes da dinastia Han.

Transformado em um taoísta imortal, o imperador Amarelo ascendeu aos céus montado num dragão. Seu protagonismo se deve, em parte, em parte na sua habilidade na preparação de drogas mágicas; porém, sobretudo, é famoso porque durante a sua vida teve relações com 1.200 mulheres, depois de ter sido instruído nas artes do amor por três iniciadoras: A Mulher Normal, A Mulher Obscura e A Mulher Escolhida.

Os antigos livros de alcova chineses se diferenciam dos demais guias sexuais da antiguidade porquê, seguindo os princípios da ioga taoísta tântrica, enfatiza a importância, para o homem, da mulher. Para conquistar uma mulher normal [no Manual da Mulher Simples], ensina Huang-tsi, é necessário cortejá-la e saber quando ela lhe deseja falar dos "cinco desejos e dos "dez movimentos", o que lhe permitira [ao homem] saber se ela está gozando.

Não obstante, pretenda dar prazer a mulher, esse objetivo não se relaciona a uma disposição romântica. O objetivo de controlar os prazeres durante o ato sexual pretende obter, através do corpo, um efeito espiritual. As trocas energéticas envolvidas na relação precisam ser cuidadosamente manipuladas.

O sábio Liu Hsang explicava, em 76 a.C, o objetivo dos livros de alcova: "A finalidade desta arte é evitar uma perda de sua potência, preservando a força vital e nutrindo a essência masculina. Deste modo, os cabelos voltam a ficar negros de novo e dentes nascerão em substituição dos que [eventualmente] caíram.

Esta arte da relação sexual com uma mulher consiste em conter-se para não ejacular, fazendo que o sêmen regresse, transformado, ao sistema circulatório para agir em  funções do cérebro [transmute-se em energia mental a energia do instante da ejaculação]. Posteriormente, os alquimistas taoístas, preocupados com a manutenção da sua força essencial, chamariam as mulheres de "o inimigo", por que induziam o homem a emitir seu sêmen.

A mulher Obscura [Manual da Mulher Obscura] que instruiu Huang-Tsi lhe atribuiu, além disso, vários antigos tratados sobre a arte da guerra; os mesmos livros de alcova falam com freqüência de sexo em termos bélicos, definindo os participantes como "adversários". Porém, em geral, se lêem mais como textos médicos do que como ensaios de técnicas amorosas.

Não obstante, a linguagem abunda em metáforas e alusões curiosamente elaboradas. O pênis se chama a Haste de Jade, o objeto de jade ou a vanguarda do homem; a vagina, a porta de jade ou o buraco de cinabrio (um mineral roxo); as diversas partes do clitóris (descritas com precisão) eram o terraço de jade, o grão de arroz, o jardim obscuro, o campo de deus e as cordas do alaúde.

As técnicas taoístas de contenção de sêmen demandavam sessões sexuais muito prolongadas. Se levarmos em conta o grande número de mulheres que um homem casado e com um harem tinha que satisfazer em uma noite, resulta, evidentemente, que as variações sexuais eram fundamentais para manter o interesse. O Hsuan-nu-Ching (Manual da Mulher Obscura), escrito antes do ano 200 a.C., designa com nomes evocadores e poéticos essas variações, como "as gralhas que juntam os pescoços" ou "O coelho que lambe o pêlo".

Outras metáforas delicadas designam os órgãos sexuais: a Haste de Jade [tudo indica que os chineses gostam muito de jade...] que penetra o Portal de Jade, o Ratinho Perfumado, a Pérola Vermelha, a Caverna

No século VII, o Tung-hsuan-tzu havia elevado o número para trinta seis posições, porém 26 eram simples variações de quatro básicas: o homem em cima (União Estreita); a mulher em cima (O corno do unicórnio), homem e mulher de lado (Acoplamento Intimo); e a penetração por detrás (O peixe que toma sol). Não obstante, o autor do Tung-hsuan-tzu deixa claro que conjunto de variações considera mais favorável: "O homem e a mulher devem mover-se de acordo com sua orientação cósmica, o homem empurrando desde de cima e a mulher recebendo debaixo. Se unem deste modo, se pode dizer que o céu e a terra estão em equilíbrio."

 

 



                                                                                                              EROTIC CHINESE PRINTS

Durante a Dinastia Sui, com o retorno das doutrinas Taoístas, depois de um período confucionista, uma nova literatura sexual de manuais floresceu e surgiram textos como: The Secret Methods of Plain Girl, Handbook of Sex of Dark Girl, Recipes of The Plain Girl, Secrets Prescriptions of The Bedchamber (prescrições Secretas de Alcova), Principles of Nurturing, Ishimpo e Secrets of Jade Chamber (Segredos da Câmara de Jade).

房內記 TRECHOS: O SECRETS OF THE BEDCHAMBER

IMPERADOR AMARELO pergunta: Como poderei eu saber se uma mulher na iminência de ter um orgasmo?

MULHER SIMPLES responde: Uma mulher apresenta cinco sinais, cinco desejos e dez movimentos do corpo durante a relação; São os cinco sinais: primeiro ela cora, fica enrubescida quando o homem dela se aproxima; segundo, os bicos dos seios ficam duros e o nariz, úmido. Nesse momento, o homem pode penetrar devagar. Terceiro, a boca fica seca, ela engole a própria saliva; e então o homem pode mover-se devagar dentro dela. Quarto, as partes íntimas se tornam muito úmidas e então o homem pode penetrá-la profundamente. Quinto, a secreção das partes íntimas é tão abundante que escorre entre coxas e nádegas, então o homem pode se mover como deseja, vigorosamente.

Os Cinco Desejos femininos
Quem sabe perceber os cinco desejos podem entender a reação de uma mulher. Primeiro: ela pensa em ter relações, sua respiração torna-se irregular. Segundo, sua vagina deseja ter relações, ela abre a boca e as narinas. Terceiro, a energia do desejo sexual produz excitação nela, o líquido de suas partes íntimas molha suas roupas. Quinto, se ela está tendo um orgasmo, ela alongará suas pernas e fechará os olhos.

AS NOVE POSIÇÕES

IMPERADOR AMARELO pergunta: Eu tenho ouvido falar de nove posições mas não sei como praticá-las. Explique-me.. Eu praticarei estes  segredos cuidadosamente. ...

[A garota responde]: ... Sobre a Primeira Posição... O VÔO DO DRAGÃO: A mulher deita-se, sobre as costas [barriga para cima...] Ela abre o Portal de Jade e o homem, de cima, com os joelhos apoiados na cama, insere sua Haste de Jade na Caverna com a forma de grão... [supõe-se pênis em estado de semi-flacidez, fazendo um estilo distraído... então durante seqüência... o dragão "voa"] Ele se move [devagar, 8 entradas superficiais para 2 entradas profundas], entrando suavemente e vigorosamente [também em 8/2...]. Então ele [já perfeitamente rijo, supõe-se] estimula a parte superior do Portal de Jade. Se todos esses movimentos são feitos no ritmo certo a mulher desfrutará enorme satisfação...

Também são posições: O Andar do Tigre, o Macaco Pulante [ou Saltador?], Subindo na Tartaruga  (Mounting Turtle), entre outras. FONTE:  EMPEROR AMARILLO

 

 

 

O Kamasutra, escrito na entre os séculos III e V e atribuído ao sábio Vatsyayana, combina os mecanismos sexuais taoistas recolhidos nos livros de alcova chineses com métodos de sedução descritos na Arte de Amar do poeta romano Ovídio. É possível que tenha elementos de ambas as fontes, porém o Kamasutra põe mais ênfase no amor - distinguindo do desejo e da paixão - distinção menos visível em Ovídio e entre os chineses. Vatsyayana interrompe constantemente suas descrições das técnicas sexuais ou de sedução para insistir nas regras que se aplicam aos enamorados, que somente se guiam por instinto.



Todavia, para todos os demais [os não-enamorados] há regras em abundância. O Kamasutra está organizado em classificações. Tem nove maneiras de mover o lingam (pênis) dentro da yoni (vagina); oito fases de sexo oral e oito classes de mordidas amorosas; quatro tipos de abraços suaves e outros quatro abraços muito apaixonados; três classes de beijos que um homem pode dar em uma mulher inocente, e quatro ângulos para tentar beijá-la.

Um aspecto, destacado no Kamasutra é, sem dúvida, o interesse sem pelo tamanho dos genitais. O lingam de um homem permite classificá-lo como lebre, touro ou cavalo, e a capacidade da yoni de uma mulher a caracteriza como cervo, égua ou elefanta. O ideal é que um touro se iguale com uma égua e um cavalo com uma elefanta.

No geral,as posições sexuais mencionadas são mais acrobáticas que as empregadas pelos taoistas, e o sábio Suvarnanbha recomenda "ensaiarem antes do banho". O Kamasutra segue a tendência chinesa de comparar o sexo como uma batalha ou uma luta. Recomenda todo um repertório de golpes em diferentes partes do corpo e classifica os arranhões em oito tipos distintos. Diferente dos livros de alcova chineses, o Kamasutra equipara a espiritualidade com a espontaneidade, e se dedica a catalogar o sexo com assombrosa meticulosidade nos detalhes.



O Ananga Ranga

Durante o milênio que separa o Kamasutra ( século III ao V) do Ananga Ranga ( século XVI) diminuíram as possibilidades de sexo pré-matrimonial e extraconjugal, e caíram os matrimônios infantis. O Ananga Ranga foi escrito para explicar a homens e mulheres como passar toda uma vida com um único companheiro sexual. Sua grande profusão de regras, rotinas e prescrições se centra nesta particularidade.

Descrições detalhadas de tudo que o marido pode fazer em cada parte do corpo da esposa - incluindo o dedão do pé - em cada uma das oito horas do dia ou da noite, ao largo de todo calendário lunar. Se o Kamasutra foi escrito para os amantes, o Ananga Ranga foi escrito para o matrimônio, com o propósito principal de aliviar o aborrecimento e, como tal, se pode considerar o modelo de quase todos os guias sexuais posteriores.

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EROTIC CHINESE PRINTS

 

FONTE
Livros de Alcoba. Clifford Bishop.
Revista Libertália. Itália: 2002.

tradução: Carol Beck



PESQUISA

History of Sex: Ancient China
The Art of Sexuality in China

 

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edição: Jahmusic ― 09/06/2007