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30/06/2007 antropologia CANNABIS: O PODER ERÓTICO DA ERVA
A deusa egípcia Seshat representada com uma folha de marijüana sobre a cabeça.
Seshat foi uma divindade protetora das bibliotecas,
do conhecimento e da geomancia entre outras coisas.
As origens do uso erótico/sexual da marijüana remonta ao surgimento dos ritos de fertilidade associados às primeiras
práticas da agricultura - em uma época em que a ligação do homem com a terra, com os campos, era compreendida como uma
relação religiosa. Entre comunidades primitivas de caçadores, os shamans usaram a magia "imitativa" ou magia simpática
[de reprodução, representação da realidade] para obter sucesso na expedições de caça. Vestiam peles de animais,
envergavam cabeças de grandes mamíferos em suas danças mágicas. Quando as comunidades fizeram sua transição da
economia de caça-coleta para a economia agrária, a mesma lógica foi aplicada aos campos cultivados. Os ciclos das
colheitas eram acompanhados de simbolismos e festas rituais.
Objetos relacionados ao uso de cannabis foram encontrados em tumbas congeladas dos antigos Citas [Scythians] nas montanhas Altai, na fronteira entre a Rússia e a Mongólia. No sítio arqueológico também foram achadas sementes e restos dos "frutos" [berlotas] da planta. O Citas usavam a maconha reunindo-se em cabanas onde a erva era queimada e todos aspiravam seus vapores "mágicos" - um "efeito sauna". Essa prática de "repirar cannabis" foi mencionada por Herótodo e data de 500 a.C.. In Hallucinogenic Plants | EROWID.ORG
"Os devotos destas divindades, aparentemente acreditavam no dever religioso da magia imitativa na qual, homem e mulher copulavam no solo, misturando suas "sementes" e seus desejos com a terra que, assim, tornar-se-ia ou continuaria fértil, pela partilha do ato sexual praticado pelos humanos. As orgias envolviam o uso de psicotrópicos, substâncias alucinógenas ou relaxantes/excitantes além de atividade sexual intensa e heterodoxa como importante fator de eficiência "mágica".
Canção Erótica de Salomão
Uma passagem clássica de "erotismo bíblico", o Cântico dos Cânticos, atribuído ao rei Salomão, atualmente é amplamente aceita
como um texto litúrgico-amoroso integrante dos culto ao deus/deusa da fertilidade na região do Oriente Médio. É fato histórico
conhecido que o rei israelita Salomão foi iniciado em cultos estrangeiros diversos em virtude do íntimo contato com a cultura
de suas numerosas esposas, provenientes de diferentes nações, como o culto a Astarte e a queima ritual do incenso de cannabis
[1 Reis 11:3-5]. "O quanto é intenso o seu amor, minha irmã, minha noiva! Mais delicioso que o vinho é o teu amor e a fragrância de seu óleo [ungënto], mais deliciosa é que o aroma das especiarias. Seu corpo é um pomar de frutos abundantes, de romãs, de henna e nardos, nardos e açafrões, cannabis [Kaneh Bosm] e canela e todas as árvores de incenso" ... [Cântico dos Cânticos 4:8-14]. Outra passagem demonstra explicitamente a a simbologia sexual dentro da liturgia [cerimônia religiosa]:
Meu amor tocou-me a caverna
Astarte foi adorada como filha e contraparte [aspecto] de Asherah e, tal como sua "mãe", seu culto era associado às práticas sexuais e ao uso da cannabis. Tanto o Cântico dos Cânticos quanto o Hino a Ishtar [outra divindade mesopotâmica] são narrativas de união conjugal. Cerimônias muito parecidas, que incluem o culto ao sexo e uso ritual da cannabis, são encontradas na Índia [ainda nos dias atuais]. O Festival das Carruagens, que data de época pré-Védica, ainda é realizado pelo culto Jagahath, em Puri. Nesta antiga festividade, carruagens com decoração elaborada, representando o "mundo em ação", saem em cortejo levando a figura velada do "Senhor do Universo" e sua noiva. Acredita-se que uma das figuras veladas é um lingam [pênis] gigante. Durante o Festival de Jagganath, as "prostitutas do templo" desempenham o papel de "esposas do rei-deus" e mantêm relações sexuais com o "rei" ou sacerdotes a fim de obter abundantes chuvas de estação. O uso da cannabis faz parte dos rituais. O pesquisador do psicodelismo, Jonathan Ott, em seu livro Pharmacotheon, conta que os ingleses suprimiram, proibindo, esse ritual em toda a Índia e a atuação das devadasis, as prostitutas sagradas. A tradição desapareceu lentamente exceto em Puri. Shiva & Kali
O uso da marijüana é parte do culto Tântrico Hindu de Shiva e Kali, duas das mais antigas divindades do mundo.
O uso erótico ritual da cannabis também está inserido em no contexto da obtenção de fertilidade.
A forte associação de Shiva com a cannabis está claramente demonstrada na antiga mitologia que envolve a planta bem
como as minuciosos procedimentos dos devotos em relação aos campos sagrados.
Os principais fundamentos das práticas tântricas podem ser encontrados em tempos pré-históricos. Basicamente, é uma teosofia [pensamento religioso] que inclui o culto à Deusa-Mãe, às forças sexuais, à fertilidade, aos fenômenos naturais, tal como nos cultos animistas. Muitos dos símbolos usados no tantrismo contemporâneo, como os órgãos sexuais feminino e masculino, são semelhantes àqueles encontrados em cavernas paleolíticas, datando de 20 mil anos, em lugares tão diferentes quanto Europa Ocidental e China.
Sexo, Maconha & Energia
Os cultos à fertilidade, repletos de práticas sexuais, evoluíram ao longo das Eras e desenvolveram-se entre os
estudiosos Gnósticos e os praticantes de Tantra. Tornou-se um "casamento sagrado" que acontece no plano mental dos
praticantes. O ritual não se dedica mais à fecundidade da terra ou dos homens; antes, pretende proporcionar o encontro
do indivíduo consigo mesmo e sua identificação com o Universo.
LINK RELACIONADO: JAH-HOVAH, O DEUS HERMAFRODITA DOS JUDEUS
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edição: Jahmusic - 30 de junho de 2007